6.14.2007

Em suma

Todas estas dificuldades em definir a obra de arte levaram alguns autores a considerar que ela simplesmente não pode ser definida, tal como a criação artística não pode ser explicada.

No entanto, há várias respostas sobre aquilo que faz com que uma coisa seja considerada artística e outra não:

1. a verdadeira obra de arte provoca emoção estética independente de qualquer interesse ou utilidade prática completamente diferente das emoções quotidianas e vulgares; essa capacidade resulta das propriedades do objecto;
2. a verdadeira obra de arte não tem um propósito definido e específico: não é um simples meio para um fim, por exemplo para moralizar ou entreter ou fazer publicidade;
3. a verdadeira obra de arte é aquilo que os artistas, os críticos e os coleccionadores, isto é, as pessoas que estão ligadas à produção artística reconhecem como tendo qualidade artística;

Qual destas respostas considera a mais aceitável?
Antes de analisar a questão, reveja todos os materiais disponíveis. Tenha particular atenção ao post sobre Duchamp.

Road to Perdition


De Sam Mendes.
Poderemos aplicar ao cinema qualquer uma das teorias explicativas da obra de arte?

A arte é forma?


Na obra de arte, podemos distinguir dois planos: o do conteúdo e o da forma. O primeiro diz respeito àquilo que a obra de arte pretende transmitir (aquilo que o artista pretende exprimir), o segundo ao modo como esse conteúdo é transmitido. Isto é: aquilo que é percepcionável na obra de arte, os elementos utilizados (sons, cores, figuras, formas, texturas, materiais, palavras, estrutura) e a relação estabelecida entre eles, independentemente do que o artista possa querer transmitir com a sua obra.
Para os teóricos da arte como forma, a obra deve ser esvaziada de todo o conteúdo, apenas interessando os aspectos que a concretizam. Por conseguinte, não interessam os conteúdos, não devendo existir qualquer preocupação com o tema ou a transmissão de uma mensagem. O que interessa é a relação estabelecida entre os vários componentes que formam a obra de arte.
Por exemplo, na estampa apresentada em cima, o que interessa a esta concepção, é a forma da figura e a cor laranja, bem como a estrutura que resulta da organização destes elementos, sem esquecer o espaço definido pela figura.

O expoente máximo desta concepção é a ARTE ABSTRACTA. É neste tipo de arte que mais claramente se rejeita a intenção ou exigência de que a arte imite ou represente o real ou transmita qualquer mensagem objectiva.

A arte é expressão?


A arte como expressão é definida como comunicação intencional dos sentimentos que o artista experimentou. Um dos mais famosos defensores deste conceito é Tolstoi, o autor russo que escreveu Guerra e Paz e Ana Karenina, considerado um dos maiores escritores de sempre.
Segundo Tolstoi, o artista começa por ter a experiência de um sentimento ou emoção (medo, alegria, esperança, angústia, ódio) e decide partilhar esse sentimento com os outros, levando-os a ter a mesma experiência através da sua obra qualquer que ela seja: romance, música, poema, quadro, estátua, dança...
Ou seja, não se limita a descrever o que sentiu, mas cria uma obra que leva os outros a sentir o mesmo que ele sentiu. Logo, a arte exige a adequada expressão de um sentimento autêntico.
Por isso se diz que esta teoria estabelece uma íntima ligação entre a arte e a vida.

A arte é imitação?


A concepção da arte como imitação da realidade dominou a estética ocidental até ao séc. XVIII.
Escritores da Antiguidade contam histórias que testemunham esta concepção. Por exemplo, o romano Plínio conta que o pintor Zêuxis era tão perfeito na sua pintura que os pássaros tentavam debicar as uvas dos seus quadros. Outro pintor, Apelles, pintava cavalos tão bem imitados que os verdadeiros cavalos relinchavam ao ver esses animais pintados por ele.
Estas histórias mostram que o critério para avaliar uma obra de arte era o da sua semelhança com o real representado.

Mas, na verdade, se pensarmos bem, o artista não representa as coisas que vê, mas o modo como as vê e até como as imagina. O artista põe na sua obra toda a experiência, sentimentos e valores que fazem parte da sua maneira de ser e pensar. Ele chama a nossa atenção para algo que captou a sua própria atenção. Ele leva-nos a olhar o mundo com outros olhos. E, de entre todas as dimensões da realidade, ele apenas pode utilizar na sua obra uma pequena parte. Até a fotografia é mais do que uma cópia da realidade. Porquê?
Será isto copiar? Imitar?
Vamos citar duas críticas de dois artistas de peso:
Paul Klee: A ARTE NÃO REPRODUZ O VISÍVEL: TORNA VISÍVEL.
Beaudelaire, por sua vez, diz: A NATUREZA NÃO TEM IMAGINAÇÃO.

6.13.2007

A justificação do juízo estético

Quando uma pessoa afirma que algo é belo, que tipo de razões apresenta para justificar o que afirma?
O que nos faz dizer que algo é BELO?
Há basicamente duas respostas: subjectivismo estético e objectivismo estético.

O subjectivismo defende que os objectos são belos em virtude do que sentimos quando os apreendemos: é o modo como nos afectam que os separa em belos e não belos.
Existem correntes de subjectivismo moderado e de subjectivismo radical.

O objectivismo estético defende que os objectos são belos devido às suas próprias características, e isto independenemente do que sentimos quando os observamos. Ou seja: as propriedades dos objectos são independentes dos sentimentos ou das reacções de quem os observa.


Na sequência destas informações, como devemos classificar a definição dada por Kant sobre o juízo estético?

6.12.2007

A Arte


O que é a arte?
Para esta pergunta, encontramos na Filosofia várias respostas.
A arte é o campo privilegiado dos juízos estéticos.
A seguir, falaremos de diferentes teorias sobre a natureza e o papel da arte.

6.07.2007

Experiência estética? 5


Keith Jarrett

Experiência estética? 4


Pearl Jam: I am mine

Experiência estética? 3



Miho Hatori

Experiência estética? 2






Obrigada, Carla!

Experiência estética? 1





A proposta de Kant



§1
Para distinguir se algo é belo ou não, não referimos a sua representação ao objecto por meio do entendimento, com vista ao conhecimento; antes usamos a imaginação para referir a representação ao sujeito e ao seu sentimento de prazer ou desprazer. O juízo de gosto não é, pois, um juízo de conhecimento, e por conseguinte não é lógico, mas estético, o que significa que o fundamento que o determina não pode ser senão subjectivo.

Apreender pela nossa faculdade de conhecimento um edifício regular e conforme a determinados fins é algo completamente diferente de ter consciência desta representação acompanhada da sensação de prazer. Neste caso, a representação refere-se inteiramente ao sujeito e, mais importante, ao seu sentimento de vida, sob o nome de prazer ou desprazer.

§2
Chama-se interesse ao prazer que ligamos à representação da existência de um objecto. Por isso, um tal interesse envolve sempre ao mesmo tempo referência à faculdade de desejar. Todos temos que reconhecer que o juízo sobre a beleza ao qual se mistura o mínimo interesse é muito faccioso e não é um juízo de gosto puro. Não se tem de simpatizar minimamente com a existência da coisa, pelo contrário, tem de se ser completamente indiferente a esse respeito para, em matéria de gosto, desempenhar o papel de juiz.

§3
O agradável, o belo e o bom designam, portanto, três relações diversas entre as representações e o sentimento de prazer e desprazer.
Agradável é aquilo que nos satisfaz; belo é aquilo que simplesmente nos apraz; bom é aquilo que se estima ou se aprova, isto é, aquilo a que atribuímos um valor objectivo.
O juízo de gosto é meramente contemplativo, não sendo portanto fundado em conceitos.
De entre estas três espécies de prazer, pode dizer-se que só o gosto pelo belo é um prazer desinteressado e livre, pois nenhum interesse, seja dos sentidos seja da razão, exige aprovação.
Conclusão:
Gosto é a faculdade do juízo de um objecto ou representação mediante um prazer ou desprazer independente de todo o interesse. O objecto de tal prazer chama-se belo

Imanuel Kant, Crítica da Faculdade do Juízo (adaptado)

O que é o JUÍZO


O juízo, tal como foi definido por Aristóteles, é ainda hoje entendido em Lógica como a operação racional que consiste em afirmar ou negar alguma coisa acerca de outra.
Assim, o juízo articula dois ou mais conceitos.

Exemplo: O Manuel não é fotógrafo.
A Joana é compositora e cantora.
As papoilas são vermelhas.

O juízo interessa particularmente à LÓGICA, por se traduzir num enunciado ou proposição, que, considerado como sendo pensamento expresso, constitui o objecto da análise lógica.
A lógica, a propósito, corresponde à unidade inicial do currículo de filosofia do 11º ano.
O que será então um juízo estético?

A experiência estética



O que é uma experiência estética?
Alguns filósofos pensam que aquilo que faz algo ser estético depende da atitude que assumimos em relação a essa realidade. Outros acham que para compreender o que é uma experiência estética é preciso compreender o tipo de JUÍZOS através dos quais essa experiência pode ser identificada. Falam, por isso, de juízos estéticos. Portanto, quando falamos de experiência estética, atitude estética ou juízo estético, estamos usar diferentes pontos de vista para nos referirmos ao mesmo problema.
Citando uma passagem do livro TEXTOS E PROBLEMAS DE FILOSOFIA de Aires Almeida e Desidério Murcho:

" Nem todos os filósofos concordam que haja experiência estética, alegando que não há qualquer diferença substancial no modo como se ouve uma música e no modo como se ouve, por exemplo, o professor de Filosofia a falar de estética. A diferença existente decorre dos próprios objectos e não da experiência que temos deles: uns objectos são obras de arte, outros, não; uns objectos são belos, outros não.
Kant foi um dos primeiros filósofos a abordar o problema da natureza da experiência estética. Propõe uma caracterização do juízo estético que nos permite distingui-lo dos outros tipos de juízo"