Para ter uma experiência estética desta imagem, não posso ter outros fins ou interesses na minha apreciação, pois, segundo Kant, para avaliarmos se uma coisa é bela ou não, temos de a apreciar só pelo prazer/desprazer que nos dá a sua contemplação. Para Kant, o juízo estético resultante de uma experiência estética é subjectivo, pois depende da capacidade que todos os sujeitos têm de fazer juízos estéticos e não das características dos objectos. Esta imagem, para mim, insere-se no plano da arte como expressão, pois o artista, através desta imagem, parece querer partilhar que se sente isolado e até desesperado, ao desenhar um barco com um castelo vazio encalhado no meio de um deserto de lama. Através da imagem também poderemos ponderar se o autor nos quer dizer que se sente ameaçado, pois desenha um elefante que parece estar a atacar o barco. A teoria da arte como expressão é uma das teorias explicativas da obra de arte, e segundo ela a arte é expressão dos sentimentos e emoções do artista, com o objectivo de levar os outros a viver os mesmos sentimentos e emoções. Eu gosto desta imagem porque ela é muito apelativa visualmente, visto que a imagem foi muito bem trabalhada a computador e tem uma grande qualidade gráfica..
Ao observar a “Guernica” de Picasso com uma atitude estética, isto é, sem qualquer outra intenção para além de apreciar o seu lado estético, pude verificar alguns aspectos formais da obra (como o claro/escuro, as formas, luminosidade, estrutura e composição, conteúdos e tema) que me permitiram ter uma experiência estética. A partir dessa mesma experiência estética criei o meu próprio juízo de valor acerca da obra, isto é, formei uma opinião de agrado sobre a mesma. Estes juízos estéticos são subjectivos, segundo Kant, pois dependem da capacidade do sujeito de estabelecer juízos estéticos e não das qualidades do objecto.
Após considerar alguns dos aspectos que permitem fazer a avaliação duma obra, pude concluir que a “Guernica” é uma verdadeira obra de arte que serve perfeitamente como exemplo da Teoria da Expressão. Isto porque nesta pintura é possível ver traços bem marcados de criatividade, originalidade e também é possível perceber facilmente a mensagem que o pintor quis transmitir: o horror da Guerra e das suas consequências. Ora a teoria da arte como expressão considera que a verdadeira obra de arte exprime não só as emoções e sentimentos do seu autor mas também comunica e faz partilhar esses mesmos sentimentos por todos aqueles que a contemplam.
Seleccionei para este meu texto, uma música intitulada “Grace Kelly”, cantada por Mika, um cantor britânico. Cingir-me-ei, tal como os objectivos de trabalho o exigem, à análise desta obra sob o ponto de vista da estética. Podemos afirmar que a estética é o ramo da filosofia que tem por objecto o estudo da natureza do belo e o estudo dos fundamentos da Arte. O belo é o critério mais importante a ter-se em conta na estética, através do qual podemos, do ponto de vista da estética, apreciar um objecto de um modo desinteressado, estando somente envolvido o puro e simples prazer que podemos ter ao observar tal objecto. Quanto à arte, podemos afirmar, de um modo simples e geral, que se insere em todos os objectos que possam ser considerados obras artísticas, os quais são alvo da apreciação estética por parte de qualquer sujeito. O belo exprime-se no juízo estético, juízo esse que consiste na valoração que fazemos a um objecto em termos de beleza, exprimindo, desta forma, uma experiência estética, a qual representa o acto de observar e de apreciar um objecto estético, contemplando-o. Nesta música, a minha experiência estética é o prazer que me dá ouvir a música, com um cantor que tem um timbre de voz extraordinário. Para explicar toda esta minha experiência estética, expressa através também de juízos estéticos, podemos recorrer a dois tipos de teorias: - as objectivistas, assentes e focadas sobretudo nas propriedades de um objecto, das quais depende a contemplação do belo no objecto estético envolvido; - as subjectivistas, teorias segundo as quais o que realmente importa são os sentimentos despertados no sujeito como resultado da contemplação do objecto. Para Kant, estes juízos não envolvem o entendimento – pois não levam ao conhecimento – e portanto não necessitam da aprovação da razão. Podemos ouvir esta música, e interpretá-la segundo a teoria da expressão, pois o cantor desta música, por meio da letra que interpreta, pretende não só transmitir a todo o sujeito os seus mais fortes sentimentos e emoções, de uma forma alegre e sarcástica (pois usa uma letra um pouco triste com um tom de música alegre), que neste caso se trata de uma frustração, mas também levar os seus ouvintes a viver as mesmas emoções e sentimentos Existem também, para explicar a obra de arte, as teorias da arte como imitação e da arte como forma, sendo que nenhuma delas pode ser consideradas nesta música. A arte como imitação corresponde a toda a obra de arte produzida pelo Ser Humano com o fim de imitar ao máximo a realidade, enquanto que a arte como forma, a entende como dizendo respeito aos aspectos estruturais da uma obra de arte, tais como cores, texturas, figuras, volumes, espaços, etc. Embora seja verdade que a arte como forma, também pode ser transmitida por sons, e o meu texto cingir-se a uma música, tal teoria não será propriamente a mais adequada para aqui se aplicar, já que esta música tem uma parte importante de transmissão de conteúdos, e, embora tenha instrumentos musicais, assenta sobretudo da voz e nas palavras do cantor.
Consideramos obra de arte todo e qualquer trabalho que resulte da criatividade de um artista, seja ele pintor, escultor, autor, etc., e que seja admitido como sendo uma obra grandiosa e com qualidade artística. Esta imagem é um exemplo de uma obra de arte. Ao observá-la estou a viver uma experiência estética, isto é, estou a apreciar uma obra de arte, com fim estético. Depois de analisar, posso afirmar que “este quadro é magnífico”, porque me dá imenso prazer olhar para ele, não tenho qualquer outro objectivo ou critério de outra natureza (política, económica, religiosa, etc.) e não preciso de ter conhecimentos sobre a realidade que retrata ou sequer saber que este lugar existe, quando estou a caracterizá-lo como sendo belo. Ao caracterizar o quadro, faço um juízo estético, sendo este um enunciado pelo exprimimos a sensação que temos ao experimentarmos algo em termos estéticos, que articula dois ou mais conceitos, atribuindo ou negando a um sujeito um certo atributo. E segundo Kant, consideramos algo belo ou não, quando, ao apreciá-lo desinteressadamente, nos dá sensação de prazer porque nos apraz ou então de desprazer, independentemente de outros interesses, ou seja: unicamente na perspectiva da sua beleza Existem duas maneiras diferentes de entender os juízos estéticos quanto à sua origem. Uma delas é o subjectivismo estético, segundo o qual a beleza de uma obra depende da sensação de prazer ou desprazer que acompanha a sua contemplação pelo sujeito. A outra é o objectivismo estético, segundo a qual a beleza de um objecto não depende da pessoa que a está a analisar, mas sim das suas próprias características. Existem três diferentes teorias para explicar a arte: a arte como imitação, como forma e como expressão. A arte como imitação é, na minha opinião a que melhor se aplica à imagem acima apresentada, pois o artista procura, nesta pintura, representar o real, copiando imagens da natureza, mas sem deixar de acrescentar a sua criatividade, pois não existe nenhuma obra de arte que represente totalmente a natureza sem criatividade do artista, nem mesmo uma fotografia. E, neste, caso o artista procura representar uma paisagem, que consiste num rio prestes a desaguar no mar, com areia e verdura em cada um dos bordos. Segundo a teoria da arte como forma o artista não pretende que a sua obra tenha conteúdo, isto é, não tenta transmitir qualquer mensagem ou sentimento, mas preocupa-se com a forma, ou seja, pretende despertar uma experiência estética apenas pelos elementos utilizados e a ligação estabelecida entre eles, sem qualquer intenção de exprimir algo. E finalmente, segundo a arte como expressão, o artista exprime os seus sentimentos (tristeza, ódio, alegria, etc.) através da sua obra e tem a intenção de levar aqueles indivíduos que contactam com a sua obra a ter a mesma sensação e os mesmos sentimentos.
Cada vez que olho para este fractal tenho uma experiência estética, isto porque admiro-o apenas por ser belo e sem ter qualquer outro interesse que não apenas o da sua beleza. Só há experiência estética quando o que está em causa é o prazer ou desprazer desinteressado que temos ao admirar algo apenas segundo a sua beleza e não por motivos económicos ou de qualquer outra natureza. Tal como já afirmei o fractal é lindíssimo. Quando digo isto estou a fazer um juízo estético, pois estou a fazer uma afirmação sobre a beleza do que estou observar. O juízo estético é subjectivo, isto é, é relativo ao sujeito, pois tal como o fractal é lindo para mim pode não ser para outra pessoa, e sendo assim o juízo estético dessa pessoa será diferente do meu. Mas não é só isso: o juízo feito pelo sujeito em relação à beleza do objecto vai depender dos sentimentos de prazer/desprazer que o mesmo provoca no sujeito, como afirma Kant, e não das características do objecto.
Existem três diferentes teorias que correspondem a três formas de definir a arte: como imitação (a obra de arte deve ser tão fiel à realidade quanto possível); como expressão (o artista quer levar o publico, através da sua obra, a partilhar o seu estado de espírito ou um sentimento que tenha experimentado), e ainda a arte como forma (quando o que interessa são os sons, as figuras, as formas, os materiais, as palavras, a estrutura). No caso deste fractal a melhor definição será a de arte como forma, pois não está a imitar uma realidade nem quer transmitir sentimentos. O que importa são as formas, as cores, e o espaço definido por estes elementos: é isso que desperta ou não o prazer de o contemplar.
A experiência estética engloba os sentimentos que o objecto nos provoca, sejam eles de prazer ou desprazer. Escolhi este quadro, não pelo prazer que o quadro me transmite, pois presenciar um assassínio não me causa prazer algum, mas sim pelo realismo que a imagem ostenta, tal como se pode observar particularmente nas expressões dos rostos das pessoas. O juízo estético que descreve a experiência estética que eu tive ao observar este quadro é: «Este quadro está magnifico, qualquer pequena parte pertencente a este quadro possui um realismo tal, que diria que estamos na presença de uma fotografia, de tal modo que me causa horror». Assim, e segundo Kant, o juízo estético articula vários conceitos relativos aos sentimentos de prazer/desprazer que a pessoa tem ao contemplar o objecto, sem envolver o entendimento, pois não produz conhecimentos. Sendo assim, a perspectiva de Kant nesta matéria enquadra-se no subjectivismo - a beleza do objecto depende do sujeito que o está a observar, é este que atribui ao objecto a característica de ser é belo ou não - e não no objectivismo, segundo o qual os objectos são belos ou não por causa das suas próprias características. Quando alguém diz que gosta deste quadro, diz portanto que sente prazer ao observá-lo, simplesmente, sem qualquer outro interesse envolvido. Aliás é o factor do desinteresse que faz desta experiência uma experiência estética: se eu olhar para ele com a intenção de o avaliar como investimento, para o comprar ou vender, já não estou em atitude estética, e portanto já não será uma experiência estética. Considero que este quadro é belo, e isso significa que ele me agrada pela sua qualidade estética, gosto que é independente da razão e não necessita da aprovação desta. Este quadro podia satisfazer a teoria da arte como expressão, pois a cena transmite com força os sentimentos das pessoas que retrata e faz-nos sentir o horror que acompanha o assassínio. A expressão das pessoas envolvidas, tanto do homem como das mulheres, é muito realista, assim como os pormenores como o de uma delas estar preparada para embrulhar a cabeça de Holofernes num pano. Sentimos que não é fácil fazer isto. Sentimos que é horrível.
Escolhi esta imagem, porque captou a minha atenção sem que eu tivesse algum interesse nela ou conhecimento sobre ela e a isto chama-se uma experiência estética que envolve a nossa sensibilidade e é a experiência que temos ao contemplar alguma coisa não envolvendo qualquer intenção ou interesse: apenas gosta-se ou não “desinteressadamente”; foi o que aconteceu no meu caso. Eu apaixonei-me pela imagem apenas pela beleza que ela possui. Por isso, concluo que esta foto é uma obra de arte, pois provocou em mim emoção estética independentemente de qualquer interesse ou utilidade prática. Esta foto revela, como outras quaisquer, juízos. O juízo consiste em afirmar ou negar alguma coisa acerca de outra, como por exemplo, segundo a imagem que escolhi posso afirmar que o cisne é branco. O juízo estético exprime a contemplação do belo, ou seja, envolve prazer e a apreciação de alguma coisa por aquilo que nos faz sentir e não pelo interesse que temos nessa coisa (ganhar dinheiro, comprar, conhecer, vender, obter sucesso).
A estética envolve o Belo/Feio, os gostos, as experiências, expressos nos juízos estéticos e, por isso, envolve a arte também, pois esta é analisada através dos conceitos que acabei de referir. Para Kant, o juízo de gosto não é um juízo de conhecimento e, por isso, não pode ser lógico, não envolve a razão. O gosto é a representação mediante um prazer/desprazer, ou seja, é a capacidade de apreciar o Belo. Por conseguinte, o juízo de gosto exprime o Belo e como não é conceptual, não exprime conhecimento. É subjectivo, pois para Kant, os objectos são belos em virtude da capacidade que o sujeito tem de ter prazer/desprazer na contemplação desinteressada de um objecto, e não em consequência das características do próprio objecto. Da mesma forma, encontro prazer nesta foto porque, enquanto sujeito, tenho a capacidade de ter esse prazer e encontrar beleza na imagem que ela apresenta.
Para mim esta foto dá alguma razão à teoria da Arte como imitação, pois apresenta uma imitação de natureza. Mas, por outro lado, apresenta aquilo que chamou atenção ao artista que tirou a foto, ou seja, apenas uma pequena parte de natureza que ele viu, mas que mesmo sendo pequena transmite muitos sentimentos que ele experimentou naquele momento e transmite-nos aquilo que captou a sua própria atenção. Assim, há mais do que imitação na obra de arte, mas ao mesmo tempo há menos dimensões das coisas do que tem a realidade. Assim, concluo que a arte é diferente da realidade, não é tal qual, e por isso terá de ser de uma natureza diferente. Como diz Beaudelaire, A NATUREZA NÃO TEM IMAGINAÇÃO.