2.13.2008

UNIVERSO


Galáxia M74
AQUI
Este site tem todos os dias uma nova fotografia de algo relacionado com a ciência e a exploração do espaço exterior. Como tal, é um interessante meio de compararmos as várias concepções de conhecimento com os resultados da investigação científica.

Na unidade seguinte, vamos falar precisamente da ciência, do modo como evolui, dos seus fundamentos e da natureza do método científico.
Antes disso, ainda vamos discutir se as representações que temos da realidade são a própria realidade ou se são de uma natureza diferente daquela - como é apontado por David Hume.

O facto de percepcionarmos aspectos diferentes das Galáxias conforme os instrumentos usados para as observar é uma das pistas para esse debate.

2.12.2008

David Hume


David Hume, 1711-1776, escocês de Edimburgo, é considerado o mais importante dos filósofos de língua inglesa.
A Treatise of Human Nature (1739-1740), Enquiries concerning Human Understanding (1748) Enquiries concerning the Principles of Morals (1751), e Dialogues concerning Natural Religion (1779), estes últimos publicados postumamente, são obras que ainda hoje têm uma larga influência.

O incontornável Imanuel Kant reconheceu que Hume o "acordou do seu sono dogmático", despertando-o para a necessidade de fazer a crítica dos limites do conhecimento humano.
Hoje em dia, os filósofos reconhecem-no como percursor da perspectiva científica contemporânea e expoente máximo do naturalismo filosófico.
Fonte: Stanford Encyclopedia of Philosophy

A sua análise da dúvida metódica cartesiana permite-nos um outro olhar sobre este aspecto do pensamento de Descartes.

Os erros dos sentidos



Não preciso de insistir nos argumentos mais triviais utilizados pelos cépticos de todas as épocas contra os dados dos sentidos. Como os que se reportam às falhas e imperfeições dos nossos órgãos em inúmeras ocasiões, à aparência distorcida de um remo na água, às diferentes perspectivas dos objectos conforme as suas distâncias, às imagens duplas produzidas ao pressionarmos os olhos e a muitos outros fenómenos da mesma natureza. Na verdade, esses argumentos cépticos são apenas suficientes para provar que os sentidos, só por si, não são algo em que se possa confiar implicitamente, mas que o seu testemunho tem de ser corrigido pela razão e por considerações relacionadas com a natureza do meio, da distância do objecto e da disposição do órgão, para que se tornem, no seu âmbito próprio, critérios adequados de verdade e falsidade. Há outros argumentos mais profundos contra os sentidos, que não admitem uma solução tão fácil.

Parece evidente que as pessoas são levadas por um instinto ou predisposição natural a depositar fé nos seus sentidos e que, sem qualquer raciocínio supomos sempre um universo exterior que não depende da nossa percepção, e que existiria mesmo que nós e todas as outras criaturas sensíveis não existíssemos ou fôssemos aniquilados. Mesmo o reino animal se rege por uma opinião semelhante e conserva essa crença nos objectos exteriores em todos os seus pensamentos, desígnios e acções.
Também parece evidente que, quando as pessoas seguem este cego e poderosos instinto da natureza, tomam sempre as próprias imagens representadas pelos sentidos como sendo os próprios objectos externos, jamais suspeitando que as primeiras não passam de representações dos segundos.

A Dúvida Cartesiana


Existe uma espécie de cepticismo anterior a todo o estudo da filosofia, fortemente recomendado por Descartes e outros como uma protecção eficaz contra os erros e os juízos precipitados. Este cepticismo recomenda uma dúvida universal, não só quanto às nossas opiniões e princípios prévios, como também quanto às nossas próprias faculdades; faculdades essas de cuja veracidade, dizem, nos devemos assegurar por meio de uma cadeia de raciocínios deduzida de um princípio original que não possa de modo algum ser falacioso ou enganador. Mas por um lado não há um tal princípio original, dotado de uma qualquer prerrogativa sobre outros que são auto-evidentes e convincentes, e por outro, se ele existisse não poderíamos avançar um passo que fosse além dele, a não ser usando aquelas mesmas faculdades das quais já se supõe que desconfiamos.

Logo, a dúvida cartesiana, ainda que qualquer criatura a pudesse atingir (coisa que claramente não pode), seria totalmente incurável e nenhum raciocínio poderia alguma vez conduzir-nos a um estado de certeza e convicção sobre o que quer que fosse.

Contudo, tem de se confessar que esse tipo de cepticismo, quando mais moderado, pode ser entendido num sentido muito razoável e constitui uma preparação necessária para o estudo da filosofia, preservando uma adequada imparcialidade nos nossos juízos e libertando o espírito de todos os preconceitos que nos possam ter sido incutidos pela educação ou por opiniões precipitadas. Partir de princípios claros e auto-evidentes, avançar com passos seguros e cautelosos, rever frequentemente as nossas conclusões , examinando cuidadosamente todas as consequências; embora tais meios tornem o progresso dos nossos sistemas mais lento e limitado, são os únicos métodos que nos permitem esperar algum dia alcançar a verdade, chegando a uma adequada estabilidade e certeza nas nossas definições.

2.10.2008

Tópicos para Discussão



*Descartes conseguiu efectivamente refutar os cépticos?

*O argumento de Descartes a favor da existência de Deus é um bom argumento?

*O cogito é uma afirmação ou um argumento?

*Só podemos ter a garantia de que é verdadeiro o que concebemos clara e distintamente, porque sabemos que Deus existe; e sabemos que Deus existe, porque concebemos clara e distintamente a Sua existência; será este um raciocínio correcto?

A Regra da Evidência


Eu compreendia bem que os três ângulos de um triângulo são iguais a dois ângulos rectos. Apesar disso, nada via que me garantisse que no mundo exista qualquer triângulo. Mas ao examinar a ideia de um ser perfeito notava que a existência está contida nessa ideia, de um modo talvez ainda mais evidente do que está compreendido na ideia de triângulo que a soma dos seus três ângulos é igual a dois rectos. Assim, é pelo menos tão certo como em qualquer demonstração de geometria que Deus existe.

Na verdade, aquela regra que adoptei, isto é, que as coisas que concebemos muito clara e distintamente são inteiramente verdadeiras, só é certa porque Deus existe – ser perfeito de quem nos vem tudo o que existe em nós. Segue-se que as nossas ideias ou noções – coisas reais que provêm de Deus – não podem deixar de ser verdadeiras sempre que sejam claras e distintas.
Mas se não soubéssemos que tudo o que de real e verdadeiro existe em nós provêm de um ser perfeito e infinito, por muito que as nossas ideias fossem claras e distintas, nenhuma razão teríamos que nos certificasse que elas possuem a perfeição de serem verdadeiras.

Note-se que falo da razão e não da imaginação ou dos sentidos. Porque embora vejamos o sol muito claramente, não devemos julgar por isso que ele tem a grandeza que lhe vemos, e até podemos imaginar distintamente uma cabeça de leão num corpo de cabra, sem que por causa disso tenhamos de concluir que existem no mundo tais quimeras, porque a razão não garante que seja verdadeiro o que assim vemos ou imaginamos. Mas garante-nos que todas as nossas ideias ou noções devem ter algum fundamento verdadeiro, pois não seria possível que Deus, que é eminentemente perfeito e verdadeiro, as tivesse posto em nós sem isso.

2.09.2008

René Descartes


Desde os famosos gráficos cartesianos, que permitem representar quantidades sem recorrer aos símbolos numéricos, até à investigação filosófica da possibilidade e natureza do conhecimento, este homem representa um marco importante na cultura do mundo europeu.
Hoje em dia é difícil percebermos o quanto é revolucionário filosofar na primeira pessoa: EU PENSO LOGO EXISTO é algo que nunca poderia ser afirmado por um pensador medieval. Este citaria autoridades intelectuais para expor um ponto de vista. Podemos então entender perfeitamente que Descartes, pensador francês do conturbado século XVII dê início ao chamado período Moderno da nossa História da Filosofia.

A investigar: a ligação entre os gráficos cartesianos e o funcionamento do hardware dos computadores.

2.06.2008

A existência de Deus; o critério da evidência racional


Depois examinei com atenção que coisa eu era, e vi que podia supor que não tinha corpo e que não havia qualquer mundo ou lugar onde existisse, mas que apesar disso não podia admitir que não existia. Pelo contrário, porque pensava, ao duvidar da verdade das outras coisas, tinha de admitir como muito evidente e muito certo que existia, ao passo que bastava que tivesse deixado de pensar para deixar de ter qualquer razão para acreditar que existia, mesmo que tudo o que tinha imaginado fosse verdadeiro.

Depois disto considerei o que de uma maneira geral é indispensável a uma proposição para ser verdadeira. Como acabava de encontrar uma com esses requisitos, pensei que era preciso também saber em que consiste essa certeza. E tendo notado que nada há no eu penso logo existo que me garanta que digo a verdade a não ser que concebo muito claramente que para pensar é preciso existir, julguei que podia admitir como regra geral que é verdadeiro tudo aquilo que concebemos muito clara e distintamente.

Depois, ao reflectir que não era completamente perfeito visto que duvidava – e que via claramente que conhecer é uma perfeição maior do que duvidar – lembrei-me de procurar de onde me teria vindo o pensamento de alguma coisa mais perfeita do que eu, tendo percebido com toda a evidência que deveria ter vindo de algum ser cuja natureza fosse efectivamente mais perfeita.

Não me era difícil saber de onde me teriam vindo os pensamentos que tinha de muitas outras coisas exteriores a mim, como do céu, da terra, da luz, do calor e de muitas outras, pois nesses pensamentos não notava nada de superior a mim. Mas já não acontecia o mesmo com a ideia de um ser mais perfeito do que eu, pois ter formado essa ideia do nada era manifestamente impossível. E porque repugna tanto admitir que o mais perfeito seja uma consequência e dependa do menos perfeito como repugna admitir que algo possa surgir do nada, não podia também aceitar que tivesse sido criada por mim próprio. De maneira que restava apenas admitir que essa ideia tivesse sido posta em mim por um ser cuja natureza fosse verdadeiramente mais perfeita do que a minha, e que tivesse em si todas as perfeições que eu pudesse idealizar, ou seja, numa só palavra, que fosse Deus.

Penso logo existo


No que se refere à conduta, já há muito tinha notado que por vezes é necessário seguir como certas opiniões que sabemos serem muito incertas. Mas agora que resolvi dedicar-me apenas à descoberta da verdade, pensei que era necessário proceder exactamente ao contrário, e rejeitar como falso tudo aquilo que pudesse suscitar a menor dúvida, para ver se depois disso algo restaria nas minhas opiniões que fosse absolutamente indubitável.

Assim, porque os nossos sentidos por vezes nos enganam, decidi supor que nos enganam sempre. E porque há pessoas que se enganam ao raciocinar, até nos aspectos mais simples da geometria, fazendo raciocínios incorrectos, rejeitei como falsas todas as razões que até então me tinham parecido aceitáveis, visto estar sujeito a enganar-me como qualquer outra pessoa. Por fim, considerando que os pensamentos que temos quando estamos acordados podem ocorrer também quando dormimos, não sendo neste caso verdadeiros, resolvi supor que tudo o que até então tinha acolhido no meu pensamento não era mais verdadeiro do que as ilusões dos meus sonhos. Mas, logo a seguir notei que enquanto assim queria pensar que tudo era falso, eu, que assim pensava, necessariamente era alguma coisa.

E tendo notado que esta verdade eu penso logo existo era tão firme e tão certa que todas as extravagantes suposições dos cépticos seriam impotentes para a abalar, julguei que a poderia aceitar sem escrúpulo como primeiro princípio da filosofia que procurava.

1.13.2008

Algumas dicas sobre o TEETETO


Para compreendermos a questão levantada no Teeteto, convém lembrar que existem diferentes géneros de conhecimento:
• Por contacto
• Prático (saber-fazer)
• Proposicional
Iremos ver mais detalhadamente esta questão na aula. Para já, basta sabermos que neste diálogo de Platão se aborda precisamente o conhecimento proposicional, ou seja aquele que se exprime por uma proposição, do tipo: Eu sei que o teste de Filosofia foi no dia nove.

O diálogo Teeteto, tal como os outros diálogos de Platão, ilustra o método da dialéctica platónica.
Teeteto é uma pessoa real, como todos os interlocutores de Sócrates nas obras de Platão. Enquanto promissor aluno de Teodoro de Cyrene, um conhecido matemático, Teeteto é a pessoa indicada para colaborar na investigação sobre o que é o conhecimento. É nessa qualidade que Sócrates o interroga, (ironia) utilizando as respostas do jovem para, no processo dialéctico de eliminar as contradições, se aproximar de um conceito que permita uma definição unívoca do assunto em análise, neste caso o conhecimento. É a argumentação ao serviço do conhecimento e da verdade, a Dialéctica que Platão opõe à Retórica utilizada pelos Sofistas.

Esse conceito verdadeiro será obtido pela maiêutica, o processo de ajudar um espírito a dar à luz os conhecimentos esquecidos pela alma em consequência da sua união com o corpo.
Na unidade anterior vimos como a concepção platónica do real fundamenta este ponto de vista sobre a diferença entre opinião ou crença, por um lado, e a ciência (o verdadeiro conhecimento) por outro.
Como veremos a seguir, há objecções sérias a esta definição do conhecimento como crença verdadeira justificada.
Na verdade, a definição a que se chega no diálogo entre Sócrates e Teeteto não satisfaz as necessidades da Razão, e é isso mesmo que aquele exprime na última fala do excerto apresentado.
Recentemente, Edmund Gettier apresentou interessantes contra-exemplos à análise platónica.
Iremos estudá-los a seguir.

1.12.2008

Opinião Verdadeira Justificada



Como já vimos, para Platão há uma diferença entre opinião e ciência. Neste diálogo, Sócrates fala com um jovem - Teeteto - sobre o conhecimento. No ponto do Diálogo citado no post anterior, a definição de conhecimento está neste ponto: será o conhecimento uma opinião verdadeira justificada?
Vemos aqui um exemplo do que é o processo da pesquisa filosófica em Platão: vai-se avançando aos poucos na busca de uma definição rigorosa, eliminando as contradições à medida que elas surgem no processo dialéctico. Chamo ainda a atenção para a última afirmação de Sócrates, que deixa em aberto a conclusão e sublinha a necessidade permanente da pesquisa filosófica.

O Conhecimento



Sócrates - Qual é então a melhor definição?
Teeteto – Que a ciência é a opinião verdadeira. A opinião verdadeira, assim parece, é infalível, e tudo o que dela resulta é belo e é bom.
Sócrates – Não há como experimentar para ver, Teeteto, como diz o guia na passagem do rio. Também aqui, só temos que avançar na nossa busca. (…) Ora, há uma profissão que só por si mostra bem que a opinião verdadeira não é a ciência.
Teeteto - Como assim? Qual profissão?
Sócrates – Aqueles que são designados por oradores e advogados. Essas pessoas, pela sua arte, produzem a convicção, não por ensinarem, mas por sugerirem opiniões conforme lhes agrada. Ou acreditas que haja mestres tão hábeis que posssam, em tão pouco tempo, ensinar a verdade sobre um roubo ou qualquer outra violência a um auditório que não testemunhou os acontecimentos?
Teeteto – Não acredito de modo nenhum; a única coisa que fazem é persuadi-los.
Sócrates – Mas não achas que persuadir alguém é fazê-lo ter uma opinião?
Teeteto – Sem dúvida.
Sócrates – Então, quando o juízes se encontram precisamente persuadidos acerca de factos que só uma testemunha ocular e mais ninguém pode conhecer, não é verdade que, tendo formado uma opinião verdadeira com base no que ouviram dizer, pronunciam uma sentença desprovida de ciência, embora tendo uma convicção verdadeira, caso tenham decidido com justiça?
Teeteto – Decerto!
Sócrates – Mas, meu amigo, se, nos juízes, a opinião verdadeira e a ciência fossem a mesma coisa, nunca o melhor dos juízes teria uma opinião recta sem ciência. Mas de facto vemos que são duas coisas diferentes.
Teeteto – Alguém dizia que a ciência é a opinião verdadeira acompanhada de razão, mas que, se desprovida de razão, nada tem a ver com a ciência, e que as coisas às quais não podemos aplicar a razão são incognoscíveis – era a expressão que ele usava- e aquelas às quais a podemos aplicar são cognoscíveis.
Sócrates – Bem dito. Mas como distinguia ele o que é cognoscível daquilo que o não é?
Teeteto – Mas não sei se conseguirei lembrar-me…
Sócrates – Vê se o que eu vou dizer te faz lembrar alguma coisa: Os primeiros elementos que compõem a realidade não admitem qualquer explicação racional. Cada elemento tomado sozinho, só pode ser nomeado, e não se pode dizer mais nada acerca dele, nem que é nem que não é. Nada lhe podemos juntar, se quisermos exprimir apenas esse elemento. De facto, nenhum dos elementos primeiros pode exprimir-se através de uma definição: só pode ser nomeado, pois nada mais é que um nome. Pelo contrário, para os seres compostos desses elementos, por serem complexos, existem nomes complexos, que se tornam explicáveis. Assim, os elementos são irracionais e incognoscíveis, embora perceptíveis, enquanto que as sílabas são cognoscíveis, capazes de serem expressas e objecto de opinião verdadeira. Logo, quando formamos sem raciocínio uma opinião verdadeira sobre qualquer objecto, a alma detém a verdade sobre esse objecto, mas não o sabe, pois aquele que não pode nem dar nem receber uma explicação racional sobre qualquer coisa, mantém-se na ignorância acerca dessa mesma coisa. Mas se à opinião verdadeira ele acrescenta essa explicação racional, tudo isso se torna possível, e ele possui a ciência perfeita. Foi isto que te disseram?
Teeteto – Foi exactamente isso.
Sócrates – Admites então que a ciência é a opinião verdadeira acompanhada de razão?
Teeteto – Perfeitamente.
Sócrates – Há aqui, no entanto, um aspecto que me desagrada…
Platão, TEETETO, 200d- 202d (adaptado)

Platão e Dimensões Matemáticas


Rafaello Sanzio, Platão e Aristóteles

Platão é o filósofo sobre o qual estamos a falar em filosofia.
Numa conversa com a professora reparei numa semelhança interessante entre a teoria que estou a estudar e as dimensões matemáticas, assunto sobre o qual já escrevi em tempos. Aliás, foi professora que me deu a ideia deste post.

Comecemos então!
Platão via o mundo de uma maneira particular...
Para Platão nada deste mundo correspondia à verdade, o filósofo dizia que havia dois mundos: o mundo sensível e o mundo inteligível. O mundo sensível é este onde nos encontramos, é o mundo dos sentidos, dos objectos físicos e das sombras.
O mundo inteligível é o mundo das ideias, dos conceitos, e para Platão as ideias correspondiam à verdade.
Platão dizia que neste mundo nada corresponde à verdade, pois a verdade são as ideias, que tudo neste mundo é uma cópia imperfeita das ideias.
Segundo ele a nossa alma já teve acesso às ideias, pois vivia no mundo inteligível a olhar para elas, portanto, nossa alma conhecia a verdade. Mas por algum motivo, o qual não vos sei dizer, foi expulsa do mundo inteligível e colocada no mundo sensível, onde tudo é uma cópia imperfeita da verdade, isto é, das ideias.
Como a alma tinha vivido no mundo das ideias Platão dizia que a alma sabia da verdade, mas que quando chegava a este mundo se esquecia da verdade. Platão dizia também que a alma podia recordar do que se tinha esquecido e isto podia ser feito através de uma técnica de argumentação chamada dialéctica.
A dialéctica consiste num diálogo onde se vão expondo ideias e eliminando contradições até se chegar a um conceito, e esse conceito é muito próximo da Ideia mas não é a própria Ideia.
E o que é que isto tudo tem a ver com as dimensões matemáticas?
Bem, um exemplo que a professora deu e a partir do qual eu fiz a analogia foi o seguinte: O mundo sensível é como se fosse uma sombra do mundo inteligível.
Ora, se o mundo sensível é a sombra do mundo inteligível, isso quer dizer que o mundo das ideias de Platão é a 4 dimensões, isto porque a sombra tem sempre menos uma dimensão que a entidade que a origina. Se o mundo sensível tem 3 dimensões e é a sombra do mundo inteligível, então chegamos à conclusão de que o mundo das ideias é um mundo a 4 dimensões =)
Não sei se isto é muito válido do ponto de vista filosófico, mas enfim, foi a primeira coisa que me veio à cabeça quando a professora disse aquilo =P
Carla Borges, 11A

7.22.2007

Iron Maiden


DIE WITH YOUR BOOTS ON
Esta música pode ser entendida como arte à luz de alguma das teorias que estudámos?

7.13.2007

Ilustração científica é arte?


Sim, mas estaríamos a fazer um juízo errado em relação ao tipo de arte que é representado se disséssemos que as imagens representavam a teoria de arte como expressão. A arte não deixa de ser arte só porque estamos a considerar outra teoria… Pois o facto de considerarmos uma das três teorias não impede as pessoas de admirarem as imagens. As pessoas admiram-nas por terem prazer em olhar para elas, e não por a obra representar esta ou aquela teoria…
Claro que os desenhos nunca representariam a teoria de arte como expressão, pois o autor ao fazer os desenhos não tinha intenção de exprimir sentimentos ou emoções. O autor ao fazer estes desenhos queria representar com máxima perfeição a realidade, logo a teoria de arte que aqui se encaixa é a de imitação, porque na arte como imitação o que é tido em conta é a representação, o mais fiel possível, da realidade.
Já agora… A teoria de arte como forma, que é a que considera o modo de como o conteúdo de uma obra é transmitido, isto é, as cores, os sons, a textura, as figuras, as formas, os materiais, as palavras e a textura, não pode ser utilizada para caracterizar as imagens pois restringe-se às formas e não ao conteúdo. E o que interessa é o conteúdo, pois o autor tentou fazer a representação mais fiel possível da realidade.
Por outras palavras (isto do ponto de vista da teoria de arte como forma) o que interessa não são as plantas mas sim a maneira de como elas estão representadas. Isto não era o que o autor das imagens pretendia. O autor pretendia que as suas imagens fossem (como já mencionei) o mais próximo possível da realidade.

Raiz de Carla

7.03.2007

Ainda a Amorphophalus Titanum




E agora a ilustração científica da mesma planta...
É ARTE ou não?

Amorphophalus Titanum






Uma flor rara e gigante, originária da ilha de Sumatra. O facto de ser conhecida como corpse-flower e thumb-flower não dá uma ideia muito favorável sobre o seu perfume. Na realidade, é uma inflorescência, geradora de uma infrutescência.
Podem encontrar-se mais informações, entre outros, no site do Jardim Botânico Huntington, na Califórnia.

The Met Museum




Um pequeníssimo apontamento sobre a exposição da colecção dos irmãos Clark no Metropolitan Museum de New York: Menina Adormecida com Gato (Renoir), Bailarinas (Degas) e Campo de Túlipas (Monet)

7.01.2007

Gustav Klimt

Maternidade (pormenor)


A Árvore da Vida

6.29.2007

Kandinsky

Casas em Munique


S. Jorge


Um pequeno extra: obras mais figurativas, se assim se pode dizer... Acho-as lindíssimas, pelas cores e pelo traço.