3.10.2008

GERIR AS EMOÇÕES


I

“ As emoções fazem parte da regulação homeostática e estão sempre prontas, pelas suas acções, a evitar a perda da integridade que prenuncia a morte ou produz a própria morte, e estão sempre prontas a proporcionar fontes de energia, abrigo ou sexo.”

“ As emoções são inseparáveis da ideia de recompensa ou de castigo, de prazer ou de dor, de aproximação ou afastamento, de vantagem ou desvantagem pessoal. Inevitavelmente, as emoções são inseparáveis da ideia do bem e do mal.”
António Damásio, in: O Sentimento de Si

GERIR AS EMOÇÕES


1 – Indique pelo menos três conceitos que adquiriu/aprofundou nesta palestra

2 – Considera que esta palestra foi útil para compreender que as emoções desempenham um papel importante na vida das pessoas?

MUITO/EM PARTE/NADA

3 – Considera que foi útil para aperfeiçoar a sua capacidade de gerir construtivamente as emoções?

MUITO/EM PARTE/NADA

4 – Considera que esta palestra lhe deu pistas para melhorar a sua capacidade de estabelecer empatia com outras pessoas?

SIM/TALVEZ/NÃO

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Este é o documento distribuído a algumas das pessoas presentes na palestra sobre as emoções. Dado que foi considerada apenas uma amostra do auditório, pretende-se dar a possibilidade de manifestarem a sua opinião a todos aqueles que desejarem fazê-lo.
Os comentários permitem não só responder a estes itens mas ainda deixar outras propostas e colocar outras questões - que serão sempre bem vindas.

2.28.2008

Contra o Método 1


Capítulo II
... O único princípio que não inibe a ideia de progresso é: qualquer coisa serve.

A ideia de um método que inclua princípios firmes, imutáveis e absolutamente vinculativos de condução dos assuntos da ciência depara com dificuldades consideráveis quando a confrontamos com os resultados da investigação histórica. Descobrimos, com efeito, que não há uma única regra, ainda que plausível e ainda que firmemente alicerçada em termos epistemológicos, que não tenha sido uma ou outra vez violada. Torna-se evidente que tais violações não acontecem por acaso, não são o resultado de uma qualquer insuficiência do conhecimento ou de desatenção susceptíveis de serem evitadas. Pelo contrário, vemos que foram elementos necessários ao progresso.
Na realidade, um dos aspectos mais notáveis dos debates recentes em história e filosofia da ciência é a compreensão de que factos e evoluções, como a invenção do atomismo na Antiguidade, a Revolução Coperniciana, a emergência do atomismo contemporâneo (teoria cinética; teoria da dispersão; estereoquímica; teoria quântica) a afirmação gradual da teoria ondulatória da luz, só ocorreram porque certos pensadores ou decidiram não se deixar limitar por certas regras de método "óbvias" ou romperam inconscientemente com elas.
Esta prática liberal, repito, não é só um facto
da história da ciência. É algo que é ao mesmo tempo racional e absolutamente necessário no progresso do conhecimento.

Mais especificamente, é possível demonstrar o seguinte: há sempre circunstâncias em que é aconselhável não só ignorar como contrariar uma dada regra, ainda que seja "fundamental" ou "racional".
Por exemplo, há circunstâncias em que é aconselhável introduzir hipóteses ad hoc, ou hipóteses que contrariem resultados experimentais bem estabelecidos e geralmente aceites.
(adaptado)

2.19.2008

As Regras do Método


Em vez do grande número de preceitos que compõem a lógica, cuidei bastarem-me os quatro seguintes, desde que eu tomasse a firme e constante resolução de nem uma só vez deixar de os observar.
O primeiro era o de jamais receber por verdadeira coisa alguma que eu não conhecesse evidentemente como tal: isto é, o de evitar cuidadosamente a precipitação e o preconceito, aceitando nos meus juízos apenas o que se apresentasse tão claramente e tão distintamente ao meu espírito que não teria qualquer ocasião de o pôr em dúvida.
O segundo, o de dividir cada uma das dificuldades que eu examinasse em tantas parcelas quanto fosse possível e requerido para melhor as resolver.
O terceiro, o de conduzir por ordem os meus pensamentos, começando pelos objectos mais simples e mais fáceis de conhecer, para subir pouco a pouco até ao conhecimento dos mais complexos.
E o último, o de fazer sempre enumerações tão completas e revisões tão gerais que fique seguro de nada omitir.
Discurso do Método (adaptado)

2.18.2008

Telescópio Binocular



Situado no Mount Graham, Arizona, é conhecido como LBT (Large Binocular Telescope).
A investigação é assegurada por uma equipa internacional de cientistas.
Os dois espelhos de 8.4 metros de diâmetro estão colocados lado-a-lado, reproduzindo o desenho dos vulgares óculos. Esta configuração binocular apresenta largos benefícios
se comparada com a dos vulgares telescópios com um só espelho, no que se refere tanto à sensibilidade como à alta resolução das imagens num campo de observação relativamente alargado.

Aqui está um exemplo do modo como os instrumentos de observação interferem na recolha de dados, e de como tecnologia e ciência se articulam estreitamente.
O que nos leva à questão dos fundamentos da investigação científica: serão indutivos ou hipotético-dedutivos? Este é um tema a explorar mais à frente.

Ah, e no céu vemos a parte norte da Via Láctea, a Galáxia a que pertence o Sistema Solar.

LÁGRIMA DE PRETA



Encontrei uma preta
que estava a chorar
pedi-lhe uma lágrima
para a analisar.

Recolhi a lágrima
com todo o cuidado
num tubo de ensaio
bem esterilizado.

Olhei-a de um lado,
do outro e de frente:
tinha um ar de gota
muito transparente.

Mandei vir os ácidos,
as bases e os sais,
as drogas usadas
em casos que tais.

Ensaiei a frio,
experimentei ao lume,
de todas as vezes
deu-me o que é costume:

nem sinais de negro,
nem vestígios de ódio.
Água (quase tudo)
e cloreto de sódio.

António Gedeão é o pseudónimo do cientista e professor de Química Rómulo de Carvalho, que marcou várias gerações de alunos no Liceu Camões em Lisboa.
Rómulo Vasco da Gama de Carvalho (Lisboa, 24 de Novembro de 1906 — Lisboa, 19 de Fevereiro de 1997) foi professor, pedagogo, investigador de História da Ciência e poeta.

Este bonito poema, ao unir a poesia e a química para tratar uma questão social, revela não só o talento mas também a sensibilidade do autor.

É também da sua autoria a PEDRA FILOSOFAL, donde foi extraído o lema deste blog.

2.14.2008

Centauro A


A Centauro A é uma galáxia elíptica gigante, e a galáxia activa mais próxima da Terra, pois encontra-se apenas a 11 milhões de anos-luz. Nesta imagem vemos imagens obtidas através de sistemas de raio-X (Chandra), ópticos (ESO) e rádio (VLA). Numa perspectiva óptica, a sua zona central é uma mistura de gás, pó e estrelas, mas com o rádio e o raio-X detecta-se uma notável emissão de partículas de alta energia espraiando-se a partir do centro da galáxia até uma distância de 13.000 anos-luz, produzida por um buraco-negro cuja massa equivale a 10.000 de vezes a massa do Sol.
Pensa-se que a Centauro A tenha sido formada há cerca de 100 milhões de anos.

De todas estas informações, sem dúvida importantes, são de realçar as que se referem às diferenças entre os dados obtidos por cada um dos instrumentos de observação, facilmente identificáveis nas fotografias: colocam interessantes questões no que se refere à natureza do conhecimento em geral e do científico em particular.