3.10.2008

GERIR AS EMOÇÕES


III

. DOR: emoção negativa (angústia, medo, tristeza, ciúme) → percepção da representação sensorial resultante da disfunção dos tecidos vivos; está associado com o castigo e comportamentos de recuo e imobilização;

. PRAZER: emoção positiva (orgulho, felicidade, esperança) → resposta a uma situação de desequilíbrio cuja resolução leva ao bem-estar; está associado com a recompensa e comportamentos de curiosidade, aproximação e procura; o prazer pode surgir logo no início do processo pela antecipação do resultado da procura; É UMA ANTECIPAÇÃO INTELIGENTE DO QUE SE PODE FAZER PARA QUE NÃO VENHA A SURGIR NENHUM PROBLEMA;


É possível dissociar a emoção e o sentimento, quer através de fármacos quer através da hipnose. É possível reduzir quer a dor quer as emoções a ela associadas: a percepção da lesão permanece, mas a redução da emoção evita o sofrimento a ela associado.


Isto mostra que emoção e consciência da emoção são coisas diferentes.

GERIR AS EMOÇÕES


II

. a emoção manifesta-se no corpo através de um conjunto de respostas químicas e neurais que formam um padrão; prepara uma resposta imediata a uma dada situação, regulando o estado interno do organismo de modo a que a pessoa possa estar preparada para essa reacção específica, e moldar comportamentos futuros;

. visa a criação de condições vantajosas para o organismo envolvido: a finalidade das emoções é ajudar o organismo a manter a vida;

. a aprendizagem e a cultura alteram a expressão das emoções, mas estas são processos biologicamente determinados, dependentes de dispositivos cerebrais que resultam de uma longa história evolucionária;

. os dispositivos que produzem emoções ocupam um conjunto restrito de regiões cerebrais e podem ser activados automaticamente sem deliberação consciente;

. todas as emoções afectam o modo de operação dos circuitos cerebrais, criando o substrato para a criação dos sentimentos de emoção;

. as emoções exprimem-se de modo VERBAL e NÃO-VERBAL, como: CORAR; EMPALIDECER; ACELERAÇÃO DO RITMO CARDÍACO; SORRIR; ARQUEAR SOBRANCELHAS; SECREÇÃO DE HORMONAS; LIBERTAÇÃO DE NEUROTRANSMISSORES OU NEUROMODELADORES (serotonina, norepinefrina, dopamina); GRITAR; INSULTAR; USAR EXPRESSÕES DE CARINHO.

GERIR AS EMOÇÕES


I

“ As emoções fazem parte da regulação homeostática e estão sempre prontas, pelas suas acções, a evitar a perda da integridade que prenuncia a morte ou produz a própria morte, e estão sempre prontas a proporcionar fontes de energia, abrigo ou sexo.”

“ As emoções são inseparáveis da ideia de recompensa ou de castigo, de prazer ou de dor, de aproximação ou afastamento, de vantagem ou desvantagem pessoal. Inevitavelmente, as emoções são inseparáveis da ideia do bem e do mal.”
António Damásio, in: O Sentimento de Si

GERIR AS EMOÇÕES


1 – Indique pelo menos três conceitos que adquiriu/aprofundou nesta palestra

2 – Considera que esta palestra foi útil para compreender que as emoções desempenham um papel importante na vida das pessoas?

MUITO/EM PARTE/NADA

3 – Considera que foi útil para aperfeiçoar a sua capacidade de gerir construtivamente as emoções?

MUITO/EM PARTE/NADA

4 – Considera que esta palestra lhe deu pistas para melhorar a sua capacidade de estabelecer empatia com outras pessoas?

SIM/TALVEZ/NÃO

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Este é o documento distribuído a algumas das pessoas presentes na palestra sobre as emoções. Dado que foi considerada apenas uma amostra do auditório, pretende-se dar a possibilidade de manifestarem a sua opinião a todos aqueles que desejarem fazê-lo.
Os comentários permitem não só responder a estes itens mas ainda deixar outras propostas e colocar outras questões - que serão sempre bem vindas.

2.28.2008

Contra o Método 1


Capítulo II
... O único princípio que não inibe a ideia de progresso é: qualquer coisa serve.

A ideia de um método que inclua princípios firmes, imutáveis e absolutamente vinculativos de condução dos assuntos da ciência depara com dificuldades consideráveis quando a confrontamos com os resultados da investigação histórica. Descobrimos, com efeito, que não há uma única regra, ainda que plausível e ainda que firmemente alicerçada em termos epistemológicos, que não tenha sido uma ou outra vez violada. Torna-se evidente que tais violações não acontecem por acaso, não são o resultado de uma qualquer insuficiência do conhecimento ou de desatenção susceptíveis de serem evitadas. Pelo contrário, vemos que foram elementos necessários ao progresso.
Na realidade, um dos aspectos mais notáveis dos debates recentes em história e filosofia da ciência é a compreensão de que factos e evoluções, como a invenção do atomismo na Antiguidade, a Revolução Coperniciana, a emergência do atomismo contemporâneo (teoria cinética; teoria da dispersão; estereoquímica; teoria quântica) a afirmação gradual da teoria ondulatória da luz, só ocorreram porque certos pensadores ou decidiram não se deixar limitar por certas regras de método "óbvias" ou romperam inconscientemente com elas.
Esta prática liberal, repito, não é só um facto
da história da ciência. É algo que é ao mesmo tempo racional e absolutamente necessário no progresso do conhecimento.

Mais especificamente, é possível demonstrar o seguinte: há sempre circunstâncias em que é aconselhável não só ignorar como contrariar uma dada regra, ainda que seja "fundamental" ou "racional".
Por exemplo, há circunstâncias em que é aconselhável introduzir hipóteses ad hoc, ou hipóteses que contrariem resultados experimentais bem estabelecidos e geralmente aceites.
(adaptado)

2.19.2008

As Regras do Método


Em vez do grande número de preceitos que compõem a lógica, cuidei bastarem-me os quatro seguintes, desde que eu tomasse a firme e constante resolução de nem uma só vez deixar de os observar.
O primeiro era o de jamais receber por verdadeira coisa alguma que eu não conhecesse evidentemente como tal: isto é, o de evitar cuidadosamente a precipitação e o preconceito, aceitando nos meus juízos apenas o que se apresentasse tão claramente e tão distintamente ao meu espírito que não teria qualquer ocasião de o pôr em dúvida.
O segundo, o de dividir cada uma das dificuldades que eu examinasse em tantas parcelas quanto fosse possível e requerido para melhor as resolver.
O terceiro, o de conduzir por ordem os meus pensamentos, começando pelos objectos mais simples e mais fáceis de conhecer, para subir pouco a pouco até ao conhecimento dos mais complexos.
E o último, o de fazer sempre enumerações tão completas e revisões tão gerais que fique seguro de nada omitir.
Discurso do Método (adaptado)

2.18.2008

Telescópio Binocular



Situado no Mount Graham, Arizona, é conhecido como LBT (Large Binocular Telescope).
A investigação é assegurada por uma equipa internacional de cientistas.
Os dois espelhos de 8.4 metros de diâmetro estão colocados lado-a-lado, reproduzindo o desenho dos vulgares óculos. Esta configuração binocular apresenta largos benefícios
se comparada com a dos vulgares telescópios com um só espelho, no que se refere tanto à sensibilidade como à alta resolução das imagens num campo de observação relativamente alargado.

Aqui está um exemplo do modo como os instrumentos de observação interferem na recolha de dados, e de como tecnologia e ciência se articulam estreitamente.
O que nos leva à questão dos fundamentos da investigação científica: serão indutivos ou hipotético-dedutivos? Este é um tema a explorar mais à frente.

Ah, e no céu vemos a parte norte da Via Láctea, a Galáxia a que pertence o Sistema Solar.